Pirataria Vs Software Livre
Visto de fora, o movimento do software livre muitas vezes é diretamente ligado a pirataria. Isso não é verdade. Se você está lendo esse blog, não deve ser nenhuma novidade. O que eu quero discutir aqui é como a pirataria influencia o desenvolvimento do software livre.
Vamos começar com um exemplo. Há pouco tempo o hacker geohot encontrou meios de ter controle total sobre o playstation 3, como pudemos acompanhar no seu blog. Jogos atualmente são programas extremamente complexos, envolvendo várias áreas de conhecimento, como arte, programação e física, só para citar algumas. Temos algum esforço de desenvolvedores produzindo jogos livres, porém é indiscutível que, quando o assunto é jogos, o mercado privado é muito superior. Essa superioridade se deve aos jogos piratas.
Programadores só tem interesse em desenvolver software livre que serão usados. Não há sentido em escrever código que nunca vai ser rodado ou lido. O público, por sua vez, sempre tenta rodar os melhores jogos possíveis, porém, grande parte deles não tem interesse em pagar para isso. Nesse ponto, existem duas alternativas: Jogos piratas ou jogos grátis. Eles acabam escolhendo pela qualidade; Jogos piratas desenvolvidos por grandes empresas são muito superiores em vários aspectos aos grátis (o que inclui os livres). Desse modo, poucos optam por utilizar os jogos livres, e como há poucos usuários, há pouco interesse no desenvolvimento desses jogos. Isso fecha o nosso ciclo de dependências do exemplo.
Como consequência direta disso, temos poucos esforços para desenvolver jogos livres. Um meio de quebrar esse ciclo seria impedindo a pirataria de software; Assim, teríamos menos opções para os usuários não dispostos a investir em jogos, então mais usuários utilizariam jogos livres, e consequentemente, mais desenvolvimento seria direcionado para eles. Seguindo essa lógica, um novo ciclo seria formado: O aumento do numero de usuários de jogos livres geraria um crescimento no número de desenvolvedores, que por vez elevaria a qualidade dos jogos, e que novamente aumentaria o número de jogadores. Após algum tempo, jogos livres estariam sendo escritos com tanta qualidade (se não mais) do que os jogos das grandes empresas de software. Essas empresas, por sua vez, precisariam de bastante criatividade e esforços para manter o seu público, o que conseguiriam, pois trata-se de uma indústria altamente criativa e inovadora.
Esse exemplo dos jogos pode ser generalizado para muitos outros softwares. É só uma questão de explorar o software livre para que ele seja cada vez mais útil.
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Por isso eu compro legalmente todos os meus jogos :-)
Mas não tenho certeza se o número de usuários aumentaria a qualidade dos jogos livres, por meio do aumento do número de desenvolvedores.
Pelo menos na minha visão, engenheiros/projetistas/programadores/etc que são de grandes empresas de jogos não-livres pagam (e bem) seus funcionários, que acabam dedicando full-time seu tempo de trabalho ao desenvolvimento desses jogos (afinal, é seu emprego).
Já os jogos livres provavelmente seriam desenvolvidos em sua maioria por pessoas não-pagas para isso; ou seja, elas teriam outro emprego, e “quando desse” desenvolveriam os jogos. Não haveria como competir com os pagos. A menos que fosse um modelo de negócio diferenciado, como uma empresa que desenvolveria o jogo, distribuiria gratuitamente, tanto jogo como código, mas cobraria para acesso a servidores multiplayer, por exemplo. Aí sim acho que teria alguma competitividade.
É como querer comparar o Gimp, editor de imagens gratuito e de código aberto, com o Adobe Photoshop. Não há possibilidade de comparação entre ambos; os engenheiros da Adobe são muito bem pagos para desenvolver um software excelente, e justificam seu salário. Já os desenvolvedores do Gimp fazem por “amor à camiseta” (pelo menos até onde sei), e isso provoca o que podemos ver hoje: a disparidade de qualidade e recursos entre os dois softwares.
Mas isso já é outro assunto. Acabei puxando pra esse lado porque tenho lido ultimamente muitas pessoas dizendo que o Gimp seria “a alternativa livre ao Photoshop”, quando o Gimp nem se compara ao produto da Adobe. :P
Oi Jeronimo, obrigado pelo comentário :)
“”"Mas não tenho certeza se o número de usuários aumentaria a qualidade dos jogos livres, por meio do aumento do número de desenvolvedores.”"”
Eu também não tenho, e ninguém tem como ter. Me parece lógico que com mais cabeças pensando diferentes sobre um programa, desde que elas sejam cordenadas de alguma forma, que a diversidade dos jogos aumentem e isso acabe influenciando na sua qualidade. Mas, denovo, talvez não :)
“”"Já os jogos livres provavelmente seriam desenvolvidos em sua maioria por pessoas não-pagas para isso; ou seja, elas teriam outro emprego, e “quando desse” desenvolveriam os jogos. Não haveria como competir com os pagos.”"”
Muitos softwares livres são grandes alternativas para softwares pagos, como por exemplo, Apache, PHP, OpenGL, PostgreSQL, wireshark, etc. A maior parte dos desenvolvedores desses softwares não receberam nada por isso, e o nível de qualidade desses softwares é bastante alto.
“”"É como querer comparar o Gimp, editor de imagens gratuito e de código aberto, com o Adobe Photoshop. Não há possibilidade de comparação entre ambos;”"”
Concordo e assino em baixo. Talvez porque a photoshop também é largamente pirateado, assim como o sistema operacional suportado por ele? :-)
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